domingo, 9 de agosto de 2015

[Enfeitiçados, entediados e confusos] Pais e Filhos no Buffyverse




Não basta ser pai, tem que participar”. Muitos fãs se lembram desse Slogan do comercial de um famoso gel para alívio de dores. No dito cujo, um pai tenta ensinar um filho a andar de bicicleta, e quando este cai, o patriarca lhe levanta e faz com que ele tente outra vez. 

A participação do pai em um dos momentos mais marcantes da vida do filho, vem nos mostrar que quando se trata de uma relação sólida com troca de sentimentos entre membros da mesma família, isso deve ser feito com um Amor incondicional, com poucas cobranças e muito mais apoio, o que gera confiança. O Pai, que certamente já passou pelas mesmas agruras, passa seu legado de aprendizado ao filho e esse aos seus. Assim se constrói uma bela escada de descendência, onde o Pai se torna o modelo de vida, uma fonte de inspiração para os posteriores. 


No Buffyverse, esta relação de troca de experiências contínuas infelizmente não são realizadas da mesma maneira que o Pai e o menino da bicicleta. Muitos sentimentos incompreendidos tomam grande parte dessas relações, deixando para trás um rastro de histórias tristes e inacabadas. 


Tomamos como primeiro exemplo nossa protagonista mor. Buffy Summers tinha uma relação equilibrada com seu Pai, Hank Summers, até que a separação dele com sua mãe os afastaram. Além disso, seu destino de caça-vampiros não ajudou nem um pouco a superar esta distância. Para Hank, sua filhinha linda tornou-se um exemplo de adolescente problemática a quem não sabia lidar e assim resolveu lavar as mãos para seu futuro. 

Diante disso, a caçadora tomou para si o seu Sentinela, Rupert Giles, como a figura onipresente de um Pai. A relação que seria estritamente profissional, foi ganhando fortes contornos paternais, por afeição e por necessidade. 

Os Pais de Buffy frente a frente em Nightmares

Já o outro protagonista, nem era Angel quando batia de frente com seu pai na Irlanda do século XVIII. O jovem Liam tinha uma relação conturbada com o seu progenitor, pois este se envergonhava de ter criado alguém que estava longe de ser um homem de verdade, responsável e moral. Todos os embates entre eles resultou em Angelus mandando seu pai para a Terra dos mortos de vez, e o que foi pior, sem seu reconhecimento e perdão. 

Como Angel, a experiência única de um vampiro quase acabou de vez com o Vingador da Noite. Depois de uma frustrante revelação acerca de seu propósito na luta ente o Bem e o Mal, Angel engravida Darla gerando Connor. A gravidez de um vampiro que era algo mais que inusitado, fazia parte de uma jogada de um Poder Superior para escravizar a humanidade. 

Connor bebê nas mãos de Angel

Connor então nasce depois do sacrifício de Darla e quando criança, recebe todo o Amor e proteção de Angel, que se agarrou com unhas e dentes ao que considerava um milagre em sua arrastada existência. Este talvez deva ter sido o motivo pelo qual Angel entrou numa fase chata de superproteção. Nem mesmo seus amigos tinham autoridade para cuidar de seu filho. 

Todo este zelo no entanto, terminou com um plano bem realizado de vingança do mesmo depois de adolescente. Levado por Holtz, inimigo mortal e atemporal de Angelus, para uma dimensão de sofrimento infinito, o bebê retorna como um rapaz ressentido e cheio de ódio pelo Pai vampiro, herdando os mesmos sentimentos por Angel daquele que considerava seu verdadeiro Pai. 

Como não teve tempo de conhecer o Amor de Angel,
Connor se entregou ao mundo de Holtz

Se Connor um dia chegou a amar Holtz, o mesmo só queria saber de se vingar da criatura que arrancou dele sua família. Para ambos não havia distinção entre Angelus e Angel, por mais que o último provasse que seu passado sangrento não existia mais. Todo este drama terminou com Angel acorrentado no fundo mar. 

Após ser salvo, Angel expulsa Connor de sua casa, mas não se sua vida. A relação entra numa fase unilateral de grande perigo para todos, afinal, Connor se vê apaixonado pela “garota do Papai”. Uma fortuita distração para não perceberem que Cordelia voltara diferente do que chamavam de Paraíso. Voltara como recipiente de um Poder Superior do Mal, que depois tomaria forma definitiva como rebenta dela e do filho de Angel. Pra quem nunca se imaginou Pai, ser avô não era bem o que Angel esperava, pois Jasmine não era o tipo de filha que qualquer Pai gostaria de ter. 

A surpresa de Connor traduzia bem o que estava por vir

A “neta” de Angel aprontou muito das suas com todo o respaldo de Connor, que mesmo sabendo o Monstro que gerara numa relação na minha opinião, quase incestuosa com Cordelia, fez o tipo “é melhor uma falsa realidade do que uma verdade dolorosa”. Connor nunca havia tido uma família de verdade, pessoas por quem dispensasse o melhor de si, por isso foi tão difícil pra ele acabar de forma violenta e chocante com sua filha. Neste momento, a dor era tamanha que quis acabar com tudo, mas foi impedido pelo sempre onipresente Amor paternal de Angel, que lhe deu uma prova definitiva arranjando pra ele uma outra família. 

Connor e a filha Jasmine: uma verdade conveniente

Ainda em ANGEL, se a durona Kate Lockley tinha um ponto fraco, esse atendia pelo nome de Trevor Lockley, um grande nome dentro da Corporação a qual fazia parte. Então não é de se estranhar o quanto Kate antes de mais nada, queria ter a mesma carreira que seu Pai. Contudo a distância quase excruciante entre eles não permitia que esta relação promissora avançasse. 

Kate esperava que seu Pai enxergasse nela algo maior que uma garotinha frágil que teve em suas mãos de forma trágica após a morte de sua esposa. Ao crescer, Kate ainda conservava para ele este ar mesmo sendo uma Policial. O veterano das ruas insistia em diminuí-la sempre que tinha chance. Talvez esperasse que a filha tomasse um outro destino, bem mais de acordo com sua condição de mulher. Esse relacionamento mal resolvido terminou muito mal. Com o Pai morto e Kate demitida, causando vergonha no bom nome do Policial aposentado. 

Nesta conversa, Trevor chega a questionar a sexualidade da filha

Outro que também tentou honrar o legado paterno foi Wesley. Como Roger Wyndam-Pryce, ele foi Sentinela, mas sua total falta de jeito para a missão, o fez dar Adeus a qualquer futuro no Conselho. Quando sempre, Wesley procurava pelo Pai em Londres por meio de ligações telefônicas esperando ouvir algumas, ou uma sequer, palavra de conforto, e acabava ouvindo palavras duras e conselhos tirânicos. 

O ex Sentinela já havia deixado para trás os traços atrapalhados de antes, e como isso acontecera sem a presença do Pai, sua satisfação nunca fora completa. Até que um dia todos os sentimentos reprimidos ganharam uma conotação mais violenta ao descarregar uma arma no seu progenitor quando este ameaçava Fred. Para a sorte (ou não) de Wesley, tudo não passava de uma jogada de uma Organização para controlar Angel através de Cyborgs Assassinos, e Roger tinha sido foi um dos “fabricados” por eles para chegar perto do braço direito do vampiro. Por este gesto desesperado, podemos concluir que naquele momento tudo que Wesley procurava era alguém que o amasse incondicionalmente e que tinha por ele o mesmo sentimento. E para sua tristeza, seu Pai não representava nem um e nem outro. Era apenas a personificação de sua insegurança de antes. 

Wesley e sua baixa autoestima diante de Roger

Voltando a BTVS, nos lembremos da vez que a bruxa Tara recebeu a visita do Pai em Family na quinta temporada. Ela também não conheceu o Amor pleno do Pai depois da morte da mãe. O austero Sr. MacLay quis manter sua filhinha já crescida sob suas asas, numa das demonstrações de controle sobre a garota. O Paizão então inventou uma história incrível sobre ela virar um Demônio depois de uma determinada idade. É claro que tudo não passou de uma forma patética, como bem descreve Spike, de tê-la subjugada e por consequência, ter menos problemas diante do processo de crescimento da mesma.

MacLay tentando obrigar a filha a voltar com ele para casa

Entretanto nem todas as relações Pai e filho no Buffyverse foram tão dramáticas e infelizes. Pelo menos não do lado maligno da coisa. A vampira Darla recebeu do Mestre dos Vampiros uma segunda “vida” através do batismo de nome como “a minha querida”. Ela era a preferida do Mestre, que ensinou a ela tudo sobre a vida após a Morte. Os ensinamentos daquele que representava a figura de um Pai para ela, a fez ser uma das vampiras mais cruéis da história. Algo que deixava o Papai bem orgulhoso. 

Mesmo sendo sua querida, Darla
não escapou de alguns puxões de orelhas

Orgulho era também a palavra que definia a relação do Prefeito Wilkins com Faith. O vilão não esperava que a caçadora que passou para o seu lado fosse representar algo tão importante em sua vida. Mesmo com seu jeito escrachado de ser, Wilkins sempre tratava a garota como uma filha nos momentos mais sérios como na batalha final contra Buffy. 

A caçadora usou Faith para atrair o Prefeito para uma emboscada, e este caiu pelo sentimento que passou a nutrir pela morena de jeito arredio, que lhe correspondeu, afinal, nunca teve uma figura paternal em sua vida. Em suma, o paternalismo de Wilkins por Faith acabou sendo sua ruína, mas no tempo em que estiveram juntos formaram uma dupla e tanto movidos por uma perfeita relação neste sentido. 

A relação de Faith e Wilkins parecia mesmo um piquenique

Mesmo quando fugimos de casa, uma coisa que sempre esperamos de nossos progenitores é que sempre estejam de braços abertos para nos acolher quando precisamos. Afagar nossas inseguranças, fazer sumir o nosso medo e ter para conosco o esteio mais que necessário para podermos andar sem as rodinhas que temos em uma determinada época de nossa longa estrada da vida. Isso só acontece com sucesso de maneira perpendicular, ou seja, no encontro bem elaborado de sentimentos e experiências entre pais e filhos. 

A todos que podem se regozijar de ainda ter esta importante presença em sua vida e aos que acompanham com muito sentimento nosso Portal um Feliz Dia dos Pais!!!

4 comentários:

  1. O que eu notei no Buffyverse é que quase todas as relações paternais sempre tiveram conflito (acho que a exceção foi somente o prefeito e Faith, se bem que eles não são do mesmo sangue).


    Nossos protagonistas (Angel & Buffy) podiam estar consagrados na luta contra o mal, porém as relações com seus genitores não iam bem, fazendo com que esse casal tenha mais um elemento que os combinam como o melhor casal desse universo de Joss (na minha opinião): os aspectos de filhos rebeldes.

    O preconceito por estar envolvida em casos sobrenaturais, e um certo desdém (mesmo sendo já adulta) por parte de seu pai, me faz considerar katie uma das personagens com o coração solitário e reprimido (só perde para o Angel).

    Esse episódio em que o pai da Tara aparece para levá-la de Sunnydale, mas é impedido por Buffy e os outros, foi um dos episódios que mais empolguei na 5° temporada!

    E bem lembrado Flávia, a menção ao mestre como o pai da Darla; afinal quando um humano é vampirizado, aquele que o transformou se torna seu genitor (ou seja, pai).

    Grande homenagem ao dia dos pais, revisitando essas relações paternais pelo Buffyverse!

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    1. Obrigada William

      Family é um dos melhores episódios de Buffy, não apenas da quinta temporada. E vc bem lembrou. Kate é uma personagem que eu gostava muito, mas que saiu do seriado como uma perdedora. Achei que ela merecia um desfecho melhor. O reconhecimento do Pai por exemplo.

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  2. É até engraçado essa de o vampiro quando infecta um humano, se torna o pai da sua vitima, mesmo quando muitas vezes se a criatura for mais nova de idade que vitima.

    De todos acima, acho que só a relação pai e filha de Giles e Buffy, é que teve mais momentos felizes alem dos conflitos. Parabens querida ^^

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    1. Verdade Helen, é estranho mesmo.

      Vou confessar que quando assisti a ANGEL pela primeira vez e ouvi Drusilla dizendo que "Darla era sua vovó" ri muito, mas não conseguia entender direito o porquê. Darla nem gostava de ser chamada de "vovó" por ela é a verdade kkkkkkk

      Giles e Buffy foi uma relação ímpar mesmo, pois foi sendo moldada com o tempo e convivência. E acabou afetando o trabalho dele como Sentinela.

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