quinta-feira, 14 de agosto de 2014

[Mais uma vez com sentimento] Welcome To The Hellmouth: O início de uma saga de sucesso


Por "Dave" The Bloody

Como se trata do primeiro episódio, que é divido em duas partes, eu não serei muito objetivo, tentarei destrincha-lo de forma resumida e comentar pontos importantes. Pois bem, ele começa de forma curiosa, onde um casal de adolescentes decide trocar carícias num colégio à noite. 

(Você vai adorar este lugar)

(Parece perfeito)

É quando tanto o rapaz da relação quanto o telespectador é surpreendido com a feição demoníaca e as presas da garota que o acompanhava.

(Ok, eu retiro o que disse sobre perfeição, ^^)


O início da série deixa evidente que o lado do terror, mesmo que leve, não passará percebido. A maquiagem vampiresca é convincente, principalmente para a época, e a expressão demoníaca se distancia daquelas versões sedutoras, o que não impede deles atraírem com o seu rosto humano.

Depois do ataque, nós temos o primeiro contato com a personagem principal da série, Buffy Summers (Sarah Michelle Gellar), que está tendo pesadelo com coisas macabras até que sua a mãe a desperta para ir ao colégio.

(Estranho...)


Levando em conta os acontecimentos do filme de 1992, Buffy e sua mãe, Joyce (Kristine Sutherland), foram meio que “forçadas” a saírem de Los Angeles e decidiram morar numa cidade do interior, Sunnydale. O motivo da mudança é que no clímax do filme, Buffy enfrenta vampiros no baile, e na série é informado que depois ela queima o ginásio, o que lhe faz ser expulsa.

A cena em que Joyce leva sua filha para o colégio e lhe diz que irá arrumar novos amigos mostra que há uma boa química entre as atrizes e um laço materno convincente. Mas dentro desse laço, também há preocupação, Joyce quer ficar próxima pra se certificar que Buffy não causará mais problemas (Que injustiça, hein? Ah se ela soubesse que sua filha é uma heroína...).

(Buffy superfeliz por ser tratada como criança, ^^)

Falando nessa cena, em nível de curiosidade, essa foi a última a ser gravada na primeira temporada, um bom acréscimo nas edições finais, =D. Agora, seguindo em frente, é no colégio Sunnydale que Buffy conhece aqueles que serão seu apoio tanto na amizade quanto em suas aventuras contra as forças místicas. Mas vamos por partes.

Como Buffy veio da cidade grande, não podia ficar longe do radar daquelas que se veem acima dos outros estudantes. É nesse contexto que conhecemos Cordelia Chase (Charisma Carpenter), uma jovem que preza pela imagem e a separação dos “vencedores e perdedores” (uma leve crítica a certos rótulos que existem na fase do colegial). 

(Cordelia dizendo como as coisas funcionam)

Apesar de Buffy já ter sido patricinha, toda hierarquia exposta por Cordelia não a influencia, que decide arriscar em amizades potencialmente verdadeiras: Xander (Nicholas Brendon) Willow (Alyson Hannigan) e Jesse (Erik Balfour), que se encontram na classe dos “perdedores”.

Xander é o tipo de cara zoeiro, mas sincero, e a chegada de Buffy chamou muito a sua atenção. Até demais eu diria.

(Dica: não fixe os olhos numa garota
enquanto anda de skate ^^) 

E se ele já ficou admirado num contato a distância, o que dizer quando ele trocou palavras com ela?

(Xander ajudando Buffy a recolher
seus pertences do chão)

Mas a beleza e a voz da jovem não chamaram mais atenção do que um de seus objetos.

("Ei, esqueceu a sua...Estaca")

Willow é a típica garota tímida, estudiosa e que entende de computadores, o que faz dela a vítima favorita de Cordelia quando esta quer discutir moda. O aspecto indefeso da personagem chama atenção de Buffy.

("Willow, certo?")

Além de inteligente, a ruiva é bastante prestativa, até mesmo com quem geralmente a trata mal, e fica feliz por Buffy não ser como muitas outras.

(Tão fofa, *_*)

Jesse é parecido com Xander, o jeito de curtir uma resenha e tal, o personagem não ganhou muito destaque, mas fica evidente a sua queda por Cordelia.

(Sorry, Jesse é platônico, ^^)

Pra completar a alicerce e entrarmos no que, de fato, é o chamativo da série para com o público, entra em cena o bibliotecário inglês Rupert Giles (Anthony Stewart Head), que na verdade é o novo sentinela da Caçadora (o anterior, Merrick Jamison-Smythe (Donald Sutherland), morreu no filme).

("Esse não foi o livro que eu pedi")

A jovem se sai, mas quando um corpo aparece no armário do colégio (o rapaz que foi morto no início), Buffy decide investigar. Ela encontra marcas no pescoço da vítima, o que lhe faz voltar a Giles e ter um momento que merece destaque. Nós vemos a postura rígida da personagem ao dizer que deseja levar uma vida normal, o que mostra o quanto Buffy ainda precisa amadurecer, afinal, ela não pode negar o seu dom, que envolve habilidades sobre-humanas capazes de enfrentar seres demoníacos, ela é a Caçadora que despertou nessa geração. E sabe-se que em cada geração, somente há uma Caçadora com esse dom (para outra despertar e ser chamada, é necessário que a que está ativa morra). Por mais que Buffy queira fugir de seu destino há pessoas inocentes que precisam da sua ajuda. Isso resume parte do contexto da série, um acerto no roteiro, pois mostra que, acima de tudo, Buffy também é humana e anseia por coisas normais, o que nos faz próximo dela. Uma surpresa até engraçada é que após toda essa conversa, vemos que Xander se encontrava por trás dos livros e diz para si: “O quê?” (uma forma criativa de incluir o personagem na trama voltada ao submundo). 

Para a “sorte” da loirinha, o colégio fica acima de um centro místico conhecido como Boca do Inferno, uma espécie de portal que separa o Mundo dos Humanos do Mundo das Bestas, em outras palavras, um atalho para o Apocalipse. Não é atoa que esse centro atrai muitas forças negativas, principalmente vampiros, e dentre eles, o mais ambicioso, o Mestre (Mark Metcalf).

(O vampiro se encontra misticamente preso num Covil)

Os seus súditos mais fiéis são:

(Darla (Julie Benz) uma vampira audaciosa)

(Luke (Brian Thompson) um vampiro grande e bruto)

Mesmo podendo estar livres, os vampiros parecem manter a fidelidade a seu Mestre, uma sacada legal se considerarmos a cultura vampiresca, que em boa parte dos clãs existe o respeito para com aqueles mais antigos. Algo negativo, dependendo do ponto de vista, pode ser o fato dos vampiros serem tratados como demônios e não como aqueles seres belos e sedutores.

Além do colégio e do Covil, outro lugar que já deixa marca como ponto de encontro é o Bronze, um bar onde os jovens adoram festejar. A ida de Buffy a esse lugar merece um destaque, no meio caminho ela sente que está sendo seguida e opta por um caminho alternativo. De fato, alguém estava atrás dela, mas esse alguém é surpreendido por Buffy e ao dar as caras se mostra um jovem misterioso. No atrito à distância, ele diz que se chama Angel (David Boreanaz) e que sabe que ela é a caçadora, dá até uma caixinha pra ela, deixando Buffy curiosa, e nós também. 

(“Let’s just say, I’m a friend”)

Por que dei atenção a essa cena? Porque, além do mistério em volta de um novo personagem contribuir para série, ela mostrou a estratégia e a força de Buffy, deixando claro que não existe isso de “loira burra” e que nem toda mulher é indefesa, um cisco na visão machista.

No bronze, há um momento interessante entre Buffy e Giles, que pede para ela examinar as pessoas que se encontram no local, uma forma de fazê-la treinar o seu sentido de caça, é como se as palavras dele a guiassem para um caminho que ela já conhece, mas que ainda precisa de incentivo para trilhar.

("Você pode me dizer se tem algum vampiro ali?")

A cena encerra com um alívio cômico que só poucas séries conseguem fazer sem perder o ritmo, Buffy acha um vampiro rapidamente só pelas suas roupas, ^^, uma espécie de sátira e, ao mesmo tempo, homenagem àqueles vampiros de filmes clássicos. 

O preço de um lugar como o Bronze é que também atrai os seres da noite quando querem escolher vítimas desavisadas, como Jesse, que tenta se chegar numa desconhecida (nem sempre é uma boa ideia). 

("Então, uh, como disse que era mesmo seu nome?")

Willow também não escapa, pois graças ao conselho de Buffy sobre “aproveitar a vida”, ela se deixa levar por Thomas, o rapaz que foi identificado como vampiro. É a imagem de uma garota se arriscando “forçadamente” como acontece muito por aí a fora. A loirinha repara que usou as palavras na hora e no lugar errado e, instintivamente, assume sua postura de Caçadora, o que mostra a indecisão da personagem consigo mesma já que ela deseja pelo normal e acaba indo atrás do anormal, é algo sutil, quase ninguém percebe, mas ao reparar bem e trazer para a realidade o que a cena quer mostrar além do óbvio, nos faz refletir se sabemos mesmo o que realmente queremos.

Ao se preocupar com alguém que ela mal conhece, Buffy demonstra um lado nobre, o que implica que apesar da imaturidade, ela é uma pessoa que quer fazer o bem, assim como Xander, que a surpreende e mostra está por dentro de seu segredo, o que poderia render uma longa conversa, mas o roteiro contorna a situação de forma genial.

("Por acaso está no meu boletim? Colocaram no Jornal?")

Haha, alguns diálogos podem soar bobos, mas são pontos chave para que as coisas fluam de forma bastante natural. Ambos vão atrás de Willow, que foi levada a um mausoléu, a jovem fica assustada quando Jesse surge machucado (mordido no pescoço), vítima de Darla. Nesse momento tenso, que mostra o outro lado da série, algo mais soturno, eis que aparece a heroína, acompanhada de Xander, com seu jeito sarcástico frente ao perigo, um diferencial que faz da personagem ainda mais querida, mas que sacrifica um pouco da tensão, transformando todo aquele clima de perigo em algo raso... Até então ela estava se sustentando, principalmente, no carisma dos personagens e no leve suspense, mas agora nós vemos a Caçadora em ação com direito a famosa estaca no coração e redução de vampiro a cinzas (os efeitos especiais são bem simples, ainda sim, ajuda a prender os olhos na tela). O final do episódio é de roer as unhas, como se já não bastasse as pontas deixadas no decorrer da estreia, Xander, Willow e Jesse acabam cercados por vampiros, e Buffy sendo encurralada por Luke após derrotar Darla. A necessidade de ver o desfecho é quase incontrolável, pelo menos para quem se deixou levar pela magia do show, que se tenta enfeitiçar não só os adolescentes, como também os mais grandinhos.

("Eu não ligo")
Luke pode não ligar, mas a gente liga, ^^. Assim como o episódio, a crítica, que está mais para comentário, também é divida em duas partes, portanto, a primeira também encerra por aqui exigindo uma conclusão, em que no fim eu abordarei os episódios 1 e 2 como um todo.

 

7 comentários:

  1. Belíssimo post David! Gostei da dinâmica do texto, bastante coeso, bem explicado. Algumas passagens realmente acabam passando desapercebidas e aí vc entrou, mencionando as mais importantes para este primeiro episódio.

    O modo que vc lidou também com personagens esquecidos pelo público como Jesse, Luke, até mesmo Darla (que não é muito popular entre os fãs, não sei qual a razão) e O Mestre também não é tão popular. Você explicou o porquê de cada um deles ter sua importância dentro da história de Buffy.

    Parabéns pela sua visão bem apurada que se completou com vc mencionando o filme, que também entra nesta lista de não populares entre os fãs. Adorei!

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    1. Obrigado, Flávia. Eu tentei deixar mais com cara de crítica, mas não consegui. É o primeiro episódio, kkk, cheio de introdução. Fico feliz que tenha gostado, ^_^

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  2. Apesar de ser um texto exclusivo sobre o 1° episódio da serie, você conseguiu articular, sem deixar nenhuma ponta solta, com os acontecimentos do fillme-piloto (de 1992). Afinal muitos fãs de 1° viagem podem se perguntar: Buffy já chega em Sunnydale, com o script totalmente decorado do seu destino??


    Há 17 anos, esse foi o início da saga em Sunnydale, mas a continuação do destino de Buffy, revelado ainda no filme!

    Brilhante post David!!

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  3. O inicio de buffy eu achei arrepiante, pois achava ela ainda indefesa por ser novata como caçadora no meio de vampiros assustadores, mas é isso que deixa a historia legal.

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    1. A Buffy novinha e "indefesa" era tão cute, ^^, e ainda é!

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